As empresas dedicadas à venda direta de produtos no Brasil — e aquelas que ainda estão pensando em abrir esse braço de comercialização — só podem ficar otimistas: em 2006, o setor teve crescimento real de 20,84% em volume de vendas, mais do que o varejo tradicional e outras modalidades de comércio. Aumentou também o número de itens comercializados (quase 18%) e o de revendedores (mais de 8%), o que, se é bom para os produtores, é melhor ainda para quem está precisando de trabalho.
Para o atual diretor-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Venda Direta (ABEVD), Rodolfo Guttilla, o crescimento deve se manter: “como houve incrementos em períodos com ou sem crises econômicas, abrem-se boas perspectivas para que os próximos anos continuem promissores”, comentou ele para o BizNewz. A ABEVD tem a visão de que os produtos mais comercializados pela venda direta (de cuidados pessoais e do lar) têm conseguido aumentar sua penetração nos domicílios: “ainda há espaço para crescimento”, avalia Guttilla, “e a entrada de novas empresas no setor de vendas diretas só contribui para fortalecer esse mercado”.
E por que cresce tanto a venda direta no Brasil? A avaliação do executivo da Natura e atual cabeça da ABEVD é de que a penetração aumenta porque cresce a confiança nos produtos. Em primeiro lugar, “cresceu a produtividade dos revendedores autônomos”, explica Guttilla. “Eles estão nas escolas, nas empresas e na vizinhança, e acabam por conquistar os consumidores”. Em segundo lugar, as empresas têm investido em capacitação, e a venda, portanto, tem sido mais qualificada, tem se parecido mais com uma consultoria — o que a venda tradicional, em loja, não tem tanto espaço para desenvolver. “Além disso, aumentou a percepção dos consumidores de que os produtos têm maior tecnologia e valor agregado”, aponta. De fato, se melhora o produto e melhora o vendedor, o comércio só tende a crescer.
A ABEVD se prepara para esse crescimento, em 2007, “fortalecendo a imagem da associação e a atividade ética e protegendo a indústria contra as hostilidades regulatórias”. Seus 28 associados contarão, durante o ano, com a ajuda dos comitês de Assuntos Legais, Relações Governamentais, Pesquisa, Comunicação, Supply Chain e Tecnologia da Informação e do Grupo de Trabalho Multinível para planejarem suas ações. O Comitê de Relações Acadêmicas já começa o ano comemorando: “a ABEVD acredita que serão consolidadas as parcerias com a Fundação Getúlio Vargas e a Universidade de São Paulo, para disseminar a venda direta no currículo dessas e de outras instituições de ensino superior e pós-graduação”, anuncia o diretor-presidente. Também a Secretaria Executiva contará com profissional do mercado em vendas diretas (Roberta Kuruzu, ex-Avon) para trabalhar na prospecção de novos associados e na sua assessoria.
“Há sete anos, crescemos dois dígitos percentuais por ano”, comemora Guttilla. A continuar assim, o Brasil deve galgar mais degraus no ranking internacional, em que ocupa o quinto maior mercado de venda direta mundial, de acordo com a World Federation of Direct Selling Associations (de 2005), da qual a ABEVD faz parte.
fonte: BizNewz - Dezembro de 2006 e Janeiro de 200




